sábado, abril 29, 2006

Poemas de encomenda






PÊNDULO

Passa, passa,
o tempo passa ...
Vai-se a roupa
fica a traça.
Vai-se o vinho
fica a taça.
Tudo passa...
E envolto em fumaça,
O meu sonho também passa.
Resta apenas a lembrança
Tão sublime de quem passa...

Este é o primeiro poema do livro Poemas de encomenda da poetisa e professora Jane Amaral Amarante Ribeiro. Acho esse poema de uma musicalidade e sensibilidade incríveis. Uma pérola da literatura dos novos autores de Belo Horizonte. A efemeridade da condição humana é tratada por imagens singelas e filosóficas. Talvez nem tudo passe. Espero que pelo menos estas palavras cor de vinho! Melhor do que ficar falando é ler o resto do livro que estará em breve disponível por e-mail aos interessados. Um abraço e boa leitura!

23 Comments:

Blogger Luna said...

Sim tem grande musicalidade e é de uma verdade estonteante,
pois na vida tudo passa, algo ainda que muito sofrido hoje, e que é dificil lidar, amanhã já lhe podemos tocar, depois de amanhã quem sabe até sorrir.

29 abril, 2006  
Blogger Matilda Penna said...

"Passa, passa,
o tempo passa ...
Vai-se a roupa
fica a traça.
Vai-se o vinho
fica a taça."
Realmente, muito musical, como um pêndulo mesmo, com um ritmo sincopado e um sentido passagem de tempo, como um relógio.
Quando estiver disponível, avise, certo?
Muito bom, gostei, :).

29 abril, 2006  
Blogger WAPTE said...

Eu tive a honra e o privilégio de ler na íntegra os "Poemas de
Encomenda" que guardo em minha biblioteca de maneira especial.Abrindo as cortinas que as vaidades de seus contemporâneos mantêm zelosamente cerradas, Jane revela ao escrever "Poemas de Encomenda" os bastidores do processo criador, ao fazer um poema com rítmo e rima, tão pouco
estimado por eles e com um contéudo dos mais elevados.
Mais que um poema, "Pêndulo" é um monumento filosófico, a dialética da vida cantada de maneira perfeita em nos versos de Jane e também expressa em Heráclito de Éfeso quando afirma que " não se banha duas veses no mesmo rio", ou como quando Lulu Santos canta: "...a vida vem em ondas, como o mar, num indo e vindo infinito..." ou mais adiante: "Tudo que se vê não
é igual ao que a gente viu a um segundo,..tudo muda o tempo todo no mundo..". Entretanto com a singeleza dos autênticos poetas, Jane soube transformar em doces palavras, a sizudez austera da filosofia. Sim,Jane, seu "sonho também passa",assim o sentia Calderón de la Barca pois: " la vida es sueño, y los sueños sueños son". É a dialética que consiste na estrutura contraditória do real.Nós mineiros, terra dos grandes poetas, podemos sem dúvida, aí incluir orgulhosamente a novel vate em sua galeria. Oxalá ela possa continuar essa carreira na qual demonstrou tanto talendo e sensibilidade, e nos brindar com mais horas de deleite, com a maviosidade de seu canto humilde. Parabéns, Jane.

29 abril, 2006  
Blogger Claudio said...

A musicalidade é evidente sim. Gostei muito.

abs

29 abril, 2006  
Anonymous Márcia(clarinha) said...

Lindo poema,leve e deliciosamente auditivo,parabéns à autora.
lindos dias e bom feriadão!
beijosssssssssss

29 abril, 2006  
Anonymous Marcos said...

Muito bonita mesmo, coisa de quem sabe trabalhar com as palavras.

29 abril, 2006  
Blogger Lia Noronha said...

Marco:Linda poesia esta... os poemas antigos...eram todos feitos sob encomenda!
Bom sábado e abraços.

29 abril, 2006  
Anonymous Mar said...

Poemas.. poemas. Esse poema que vc colocou e muito lindo. Resta apenas a lembrança... tão sublime de quem passa! Bom sábado.. para vc e teus ente-queridos. Ahh.. será que consegui acertar o link... ou, o caminho não eh esse?

29 abril, 2006  
Blogger Moacyr Rodrigues said...

O Brasil tem boa cultura sim e como tem ... belo ...

Escrevi hoje sobre uma frase do dalai Lama que trata sobre a religião e sua dificuldade em enfrentar a ciência ...

29 abril, 2006  
Blogger Janaina Staciarini said...

Adorei, Marco!!! Lembrou-me um do Vinícius, que também fala sobre o tempo e também é bastante musical:
O Relógio
Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac

Bom final de semana!

29 abril, 2006  
Blogger Lenise Souza said...

Realmente um lindo poema!
Tem sentimento....adorei, parbèns a Jane e a vc pelo incentivo!
Beijos,
Lenise.

29 abril, 2006  
Anonymous Vírgula e Imagem said...

Jane

Venha nos visitar!

Bjs

29 abril, 2006  
Anonymous alexander said...

fala fiiiiiiiiiiiii............ vc nem me respondeu né
?

tira um dia pra vc me responder
falow?
fui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! alexander luciano

29 abril, 2006  
Blogger B R E N A said...

Oi, Marco Aurélio!
Olha que engraçado. Nos comentários do seu blog vi várias pessoas que comentam no meu também!
O mundo blogueiro também é um ovo!
Beijos

29 abril, 2006  
Blogger Justiça said...

Curti demais esse poema!Quero receber esse livro por imail se for possivel. Abraços

29 abril, 2006  
Blogger Lara said...

Marco, adorei o poema! Adorei tanto que publiquei no meu blog também... Agora, uma informação útil: vai ser lançado por qual editora? Queria saber se vai ser lançado aqui no sul também!
Abraço

29 abril, 2006  
Anonymous cilene said...

tudo passa e tudo fica

30 abril, 2006  
Blogger Jerusa said...

Gostei do poema. Parabéns a Jane e vc pela divulgacao. Um ótimo lancamento do livro.

30 abril, 2006  
Blogger Walter Carrilho said...

Há muito tempo eu não lia um poema capaz de me agradar como esse. Muito musical. E o Arnaldo Antunes ainda se diz poeta...humpf.

abs

30 abril, 2006  
Blogger Jorge Sobesta said...

É facinante como existem pessoas com o dom de juntar as palavras e transformá-las em coisas tão bonitas.

02 maio, 2006  
Anonymous Cintia Barreto said...

Jane

O Tempo Passa
O tempo passa? Passa.
Mas há vincos difíceis
No caminho.
Há manchas na pele
Que roubam a beleza.
De que adianta estar
Esticadinha,
Com os colarinhos aprumados,
Se há uma enorme mancha
A te olhar, a te lembrar
Daquele fatídico dia
Em que o melhor gole
Errou a boca e foi
Parar ali.

Passa. Passa. Tudo passa.
O tempo passa panos pintados,
Listrados, esfumaçados, lisos.
O tempo passa, mas há sempre
Aquelas dores amarrotadinhas,
Chatinhas de passar.
Puxa daqui, estica dali.
Dá pra ir! Dá pra sair!
Ninguém vai reparar.
Deixe disso, que bobagem!
Ninguém vai reparar
Nesse furo. Está bem escondidinho.
Só você que está vendo.
Então acha que todos vão ver.
Vão não.

O tempo passa e borrifa gotículas
De esperança, às vezes,
Para passar melhor.
De vez em quando, somos pegos
Pelo avesso e, quando voltamos
Ao começo, percebemos que não
Está bem . . . passado.
Passa-se um lado. Amarrota-se
O outro.
Ah! Tá difícil. Vá assim mesmo

02 maio, 2006  
Blogger Debinha said...

Este comentário foi removido pelo autor.

05 junho, 2008  
Blogger Debinha said...

Quando vc apareceu na minha escola e me deu o livro e ainda por cima autografou.. eu me inspirei em sua poesia: Planeta Terra...
Desde então me apaixonei pela poesia...

Adolescência
Chego na escola e percebo uma multidão
olhem o que vejo
um novo aluno
uma nova atração

Todos o olham, parece que nunca o viram
que bobos
logo será reconhecido

Todos esperam para conhecer sua personalidade
mas o que eles não percebem
que isso é apenas vaidade

Ele não irá se revelar
ate que alguém sincero inesperado o conquistar
Todos fazem uma idéia errada dele
uns acham ele legal, outros já não gostam


Quando ele se revela ele é simplesmente esquecido
ninguém se lembra dele ou daquele desconhecido

Ass: Débora.j.s

05 junho, 2008  

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