sábado, fevereiro 18, 2006

Cotas para alunos de escolas públicas em universidades federais

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara federal aprovou em 15/02/2006 o projeto que cria um sistema de cotas destinando 50% das vagas das universidades federais para a alunos que cursaram o ensino médio integralmente em escolas públicas. Dentro desse percentual, devem ser destinadas vagas para negros e índios de acordo com o percentual racial medido pelo IBGE em cada estado.

Segundo o ministério da educação, o objetivo é facilitar o acesso dos alunos carentes ao ensino superior apoiados naquele senso comum de que só alunos de escolas , particulares, passam nos vestibulares das universidades públicas federais.
Esta medida fere o principio da universalização do ensino público.
Um aluno de classe média pode muito bem estudar em uma escola particular de manhã e a noite numa pública, garantindo assim o seu acesso a universidade pública de maneira ainda mais fácil.

Eta projetinho populista e mal formulado.

Marco Aurélio

15 Comments:

Blogger Alisson said...

Qual a sua sugestão para acabar com séculos de desigualdade social? Talvez você esteja entre aqueles que defendem que é preciso investir na escola pública para que o aluno possa competir em pé de igualdade com aquele da escola particular. Claro que isso tem que ser feito. Mas mudar a realidade da escola pública não será possível do dia para a noite. Enquanto isso, o que fazer? Esperar que outras gerações de excluídos sejam formados? E será que ações como o Fundeb não significam um investimento na educação pública? Se os alunos de escolas públicas, os negros e os índios não têm as mesmas oportunidades que aqueles que são mais favorecidos, por que eles são obrigados a competir de igual pra igual com quem está anos luz à sua frente? A política de cotas, pejorativamente chamada de compensatória, deve ser implementada urgentemente. Evidentemente, ela não é a solução definitiva e precisa andar lado a lado com outras políticas estruturantes.

22 fevereiro, 2006  
Blogger Marco Aurélio said...

Ótimo seu comentário. Nível muito alto.
Estou realmente entre aqueles que defendem a necessidade de mudar a escola pública( sou professor de uma) para que o aluno possa competir de verdade com os alunos egressos de escolas particulares.O que questiono realmente é que tudo isso foi feito a toque de caixa sem a participação popular. Tenho medo de uma onda de preconceito que isso pode gerar.

Um abraço

e volte sempre!

22 fevereiro, 2006  
Blogger Alisson said...

Não acho que tenha sido a toque de caixa... as políticas afirmativas já fazem parte da agenda desse governo há muito tempo, mas leva-se tempo para implementar algo tão complexo... quanto ao debate público, ele está em pleno andamento. O problema é que a maioria não se interessa em debater. Ter medo do preconceito é uma forma de alimentá-lo.

22 fevereiro, 2006  
Blogger Marco Aurélio said...

Alisson

Da agenda de qual governo? De lula, de FHC, dos dois? isso é tema de debate para no mínimo 30 anos pois tem um impacto muito grande e as vezes não é possivel reverter os danos de uma reforma tão grande nem corrigir outros que vem de muito mais anos. Quanto ao debate público a mídia para variar não cumpriu com seu papel.

Suas posições são muito boas e bem fundamentadas.

Volte sempre

22 fevereiro, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Belezinha Corelio??Acho a ideia super legal,pois a varios alunos de escolas publicas que naum têm condiçoes de pagar uma faculdade ou ate ha aqueles que tem de trabalhar e naum ha tempo de estudar para tentar uma UFMG. . .
Temos e que abrir as portas para aqueles que naum as têm abertas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
BJOKAS_Loredana

23 fevereiro, 2006  
Blogger Marco Aurélio said...

Loredana

Legal, vc sendo uma aluna de uma escola particular pensando assim.
notou que não houve um comentário sequer de alunos de escolas públicas?

23 fevereiro, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Poxa notem Marco Aurelio,ouh pode ser vergonha de falar de estudam em escola publica ou sei la por falta da internet
loredana

23 fevereiro, 2006  
Blogger Marco Aurélio said...

Falta de internet não é pois quase todas as escolas públicas que conheço tem acesso a rede.

23 fevereiro, 2006  
Blogger Zacarias Jaegger Gama said...

É isso ai, Companheiro! Este projetinho, no entanto,deve ser visto como bem formulado para salvar as falidas Instituições Particulares de Ensino Superior.

23 fevereiro, 2006  
Blogger Mar said...

É isso aí.. "projetinho" mal formulado e discriminativo esse tal da vaga dos 50% dos alunos discriminados. Um dia cada um de nós pensou que gente.. é gente simplesmente. Não é bem assim... fomos colocados num planeta disfarçado, acho que aqui é o inferno!

22 abril, 2006  
Anonymous Anônimo said...

Olá, sou aluna de escola pública e acho sim que tem que mudar o ensino das mesmas, mas apoio também esse projeto, pois existem bons alunos nas escolas públicas e por uma desvantagem em relação ao aluno da escola particular não conseguem
engressar em uma faculdade federal.
Assim, tendo que trabalhar o dia todo para pagar mensalidade em faculdades privadas.

Se esse projeto funcionar mesmo,e com a melhoria do ensino na rede pública, desde o ensino fundamental é uma boa pedida para a diminuição da desigualdade social.

Obrigada,
Mirella.

11 agosto, 2008  
Blogger rafael said...

Bom...
Concerteza..., é urgente a implementação de uma política que promova o acesso de todos a universidade pública, mas penso que é imprudente um sistema de cotas que separe as pessoas entre oriundos de escola pública e particular. Estou na universidade pública e estudei numa escola particular como bolsista, e pelo menos num curso de exatas, uma formação razoável é indispensável. Convenhamos que o ritmo de uma universidade pública é bem puxado e se a pessoa não tiver tido um bom ensino fundamental, entra na universidade..., mas não sai. O que vai acontecer é que se os alunos estão despreparados, o nível de ensino vai cair, a credibilidade das nossas instituições públicas de ensino vai diminuir e de nada vai adiantar... todo mundo vai ter acesso ao ensino superior, só que de má qualidade...

Talvez este seja um pensamento meio simplista..., mas acho que primeiro tem que ter uma reforma no ensino fundamental. Por hora, a melhor forma de democratizar o acesso ao ES é atravéz de iniciativas como ProUni ou Fies, Reuni(desde que bem planejado)...etc...
Talvez eu precise pensar mais sobre o assunto.., mas hoje, essa é a minha opnião.

20 novembro, 2008  
Anonymous Vinícius said...

Eu studo em scola particular tb, e ñ é por isso q desaprovo a lei; mas sim pq o governo parece querer facilitar as coisas.
Em vez de trabalharem mais para melhorar o ensino das escolas públicas, deixando o aluno mais capacitado; eles querem praticamente "dar de presente" vagas para entrarem na universidade.

Mas eu tnho uma dúvida e qria q me respondessem:

- Com essa lei dos alunos das escolas públicas e tb com a dos alunos negros e pardos, qual a porcentagem e a chance de alunos de escolas particulares engressarem em uma universidade pública(Estadual/Federal)??

18 dezembro, 2008  
Anonymous Ricardo said...

A função da universidade não é resolver a situação econômica de ninguém, não é reparar injustiças históricas, nem de promover a igualdade racial. A função da universidade é produzir conhecimento e profissionais competentes e capacitados. A entrada deve ser assegurada pelo mérito, como está previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O sistema de cotas não é apenas preconceituoso, é inconstitucional, e ameaça o que a democracia e a lutas sociais levaram séculos para conseguir: o fim da discriminação e segregação. O que pode ser feito para diminuir as diferenças é aumentar a qualidade do ensino fundamental público. Achar que simplesmente aplicar cotas nas universidades vai melhorar a desigualdade no país é um pensamento ingênuo e perigoso.

20 abril, 2009  
Anonymous Anônimo said...

O que presenciamos por aqui é tão somente muita conversa, muito achismo, porém a vida continua no decurso, as desigualdades estão à cada dia esmagando as classes menos favorecidas, a realidade é: faculdades particulares=pobres, federais melhores graduações=ricos. Essa é a realidade e ponto final. Quem irá mudar isso em um curto espaço de tempo, pois tem que ser pra já!

02 dezembro, 2013  

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